Reinos perdedores

Não crê nisso tudo, Não crê Isso não passa de uma convenção Não crê em tal junção Em tal junção de idéias, Em convenção por demonstração Pela insegurança tida Do medo causado Não crê em corações alheios Que de coração nada têm Pois alheio às idéias postas Coração nada tem a ver Não crê nisso tudo, Na bobagem de querer Ou querer provar que não quer Não crê Não crê em abismos forçados Pelo precipício de um mal afeto. Pela má fé de um princípio mal amado, Não crê nisso Não crê por compaixão, Muito menos por paixão, Em missão, não crê: Por ódio e por desgosto Não crê em claras virtudes mentirosas, Em palavras mal feitosas, Em empolgação por provar Que não ama, quer ser livre Crê em tua liberdade, Tua independência ao depender do outro, Crê nisso, E derrube reis e rainhas Crê que derrota, Que consegue, Crê que conquista, E não serás derrubado 02/08/2001

Horizonte mórbido

Ouvi as rochas A chuva O sonho Roube me... Destroço da paciência Perca-me, Falsa e ingênua inocência Dos rochedos que tratei, Que falei... Referência mórbida Morbidez da paisagem Tórrido horizonte, Que me tens em choro, Como sempre tens a mensagem Há metros de gramado Verde eterno, sepultado Mal tratado, idolatrado Virtudes em vão... Te tenho em versos, mas, Te tenho em mãos? O pôr-do-sol, pôe-se ao chão 12/03/2002

Dor só

A dor é pertinente, É relevante, Suportável, mas, Dor dormente Na latência rara, A dor é dia À noite em sonhos É nada mais que dor latente Quando se tem em vista A doçura do valor do dia, A dor é só isso: O amor do só, tardia A dor só, só não é doce Mas nem sempre amarga É apenas dor, Dor calada Calada no silêncio Que se outorga pelo que é só Já que amor até se tem, Só não se tem dor só sem dó 17/12/2003

Campos de fel, campos de mel

Teu fel traz, O ferrabrás Da esperança Que o sentido tardio, Teu fel traz O ferrabrás Sem mais drogas, Sem mais medos, Nem torpedos Teu fel traz, Teu mel faz Do que é tosco virar belo Sincero, Perdido no branco, girassol Vermelho, escarlate, girassol Dos campos de sonhos Soberanos à aurora Boreal, aurora boreal Sentado nos campos Melodia? Viajo ao passar do dia 19/04/2002

O fim, do dia

Ao desprazer do fim do dia Vejo a noite descer, Aprecio esta sim, Mas é o fim, é o dia a morrer A noite é, ao entristecer do dia, O que é o amor na agonia tardia De quando chovia E quando chovia, Era o dia a lagrimar Pelo fim que teria A noite a tardar O vespertino também havia, E nas janelas em que achuva batia, O início sempre seria, o nascer do dia, a começar Pois uma noite fria é triste, Como quando solitário o ser seria, Sem amor, sem calor, piedade ou anestesia Ao esquecer da noite, ao aquecer do dia E o dia, a noite sabia, Tinha ao menos a tarde campestre Para se animar, enfim, na curta poesia 30/01/2003